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A Bíblia vista pelo Poeta

Postado por quarta-feira, 21 dezembro, 2011

Certo dia pelo Espírito Santo, entrei no maravilhoso Templo do Cristianismo. Entrando pelo átrio de Gênesis, desci até às galerias do Velho Testamento, onde os quadros de Noé, Abraão, Moisés, José, Isaque, Jacó e Daniel pediam das paredes.

Passei depois ao salão da Música dos Salmos, no qual o Espírito Santo com rapidez percorria o teclado da Natureza, parecendo que todas as palhetas e tubos do grande órgão de Deus respondiam à melodiosa harpa de Davi, o suave cantor de Israel.

Fui até à Câmara de Eclesiastes e ali ouvi a voz do Pregador e à estufa de Saron, onde a Rosa e o Lírio dos Vales, com seu odor, perfumaram a minha vida.

Entrei no Tribunal de Provérbios e depois no observatório dos profetas, no qual telescópios de diferentes tamanhos que apontavam, à grande distância, para os acontecimentos, mas todos centrados sobre a Estrela da Manhã.

Entrei também no salão das audiências do Rei dos reis e alcancei uma visão da Sua Glória ao fixar os quatro pontos cardeais de Mateus, Marcos, Lucas e João.

Passei depois aos Atos dos Apóstolos, onde vi o Espírito Santo fazer a Sua obra na formação da Igreja em seu tempo primitivo.

Em seguida, dirigi-me à sala da correspondência e vi lá, sentados, Paulo, Pedro, Tiago e João a escreverem as suas cartas.

Subi depois à Sala do Trono da Revelação – o Apocalipse – e, do cume inabalável da torre, obtive uma visão do Rei sentado no trono em toda  a Sua glória.

(Billy Sunday)

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Pr. Adelemir Garcia Esteves

Pastor, Jornalista, Professor de Teologia, Hebraico Bíblico e Conferencista.
“Temos a grande responsabilidade de refletirmos toda a glória de Deus.”
(II Co. 3:18)

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Ilustrações

Postado por quarta-feira, 21 dezembro, 2011

TOMÁS DE AQUINO E O BOI QUE VOAVA
(Humberto de Campos)

Conta-se que, achando-se Tomás de Aquino em seu quarto curvado sobre obscuros manuscritos medievais, ali entrou de repente, um colega seu, o qual foi exclamando com escândalo:
- Vinde ver, irmão Tomás, vinde ver um boi voando!
Tranqüilamente, o grande doutor ergueu-se do seu banco, deixou o seu aposento, e, vindo para o átrio, pôs-se a olhar o céu, a mão em pala sobre os olhos fatigados do estudo. Ao vê-lo assim, o colega jovial desatou a rir com estrépito.
- Ora, irmão Tomás, então sois tão crédulo a ponto de acreditar que um boi pudesse voar?
- Por que não, meu irmão? – retrucou Tomás de Aquino.
E com a mesma singeleza, flor da sabedoria, acrescentou:
- Eu preferi admitir que um boi voasse a acreditar que um religioso pudesse mentir.
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O QUE PREGAR?
Um pastor estava preenchendo provisoriamente uma vaga numa certa igreja. Quando ia entrando pelo templo, foi delicadamente puxado de lado por um dos obreiros e advertido que não pregasse contra o jogo de cartas, pois, algumas das famílias mais influentes, às vezes jogavam. Mais além, um outro obreiro puxou o seu paletó e aventurou-se a aconselha-lo que não falasse contra a dança, pois, algumas das pessoas que mais contribuíam promoviam, às vezes, danças nos seus lares. Mais além, alguém tocou o seu ombro e lhe sussurrou que não mencionasse o teatro porque alguns gostavam disso. Ele, finalmente, subiu ao púlpito, confuso. Então mencionou o que lhe haviam dito e que estava em dificuldade para pregar. Um certo membro, com a melhor das intenções gritou do fundo da congregação: “Pregues sobre os judeus; não há nenhum deles presente”. Deste modo, querido leitor, tem vários ministros pregando de maneira evasiva sobre assuntos distantes e todos os seus ouvintes indo para casa fazendo agradáveis referencias a pregação, embora ninguém podendo repetir o que foi dito, visto que nenhuma flecha de convicção atingiu uma alma sequer.

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Pr. Adelemir Garcia Esteves

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O Livro de Apocalipse

Postado por quarta-feira, 21 dezembro, 2011

A palavra Apocalipse é derivada do grego Apokalypsis, que significa revelar, expor a vista, metaforicamente, descobrir uma verdade que se achava oculta.
O Apocalipse foi dirigido às 7 Igrejas da Ásia Menor, província romana, na parte ocidental, ao sul do Mar Negro, que hoje constitui a parte chamada Anatólia, parte da Turquia asiática, que confina com o Mar Negro, o Bósforo, o Mar de Mármara, o Estreito dos Dardanelos, o Mar Mediterrâneo, a Síria, a Mesopotâmia e a Armênia. Essas Igrejas são: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia.

O AUTOR

O autor deste livro foi João, o apóstolo, por ordem direta do Senhor Jesus (1;1,11). Justino Martir, filósofo, nascido em Samaria e falecido em Roma, 139-163, d.C., referindo acerca do Apocalipse disse: “um homem, entre nós, chamado João, um dos apóstolos de Cristo, na revelação a ele feita, tem profetizado que os crentes em nosso Jesus Cristo viverão muitos anos em Jerusalém e depois haverá uma ressurreição e o julgamento de todos, seguindo-se o Milênio dos Santos”.

A LINGUAGEM E OBJETIVO DO LIVRO

Livro de Apocalipse é de caráter profético em forma de visões, empregando um simbolismo enigmático. A literatura profética do Antigo Testamento encontrada nos livros de Ezequiel, Daniel, Zacarias, e em partes de Isaías é considerada também como literatura apocalíptica. O cumprimento total das profecias apocalípticas serão verificadas no “fim dos dias.” Acerca da linguagem enigmática deste livro, Gordon Fee e Douglas Stuart afirmam com precisão: “Quando vamos ao Livro do Apocalipse depois de ler o restante do Novo Testamento, sentimos que estamos entrando num país estrangeiro. Ao invés de narrativas e cartas que contêm declarações claras de fatos e de imperativos, chegamos a um livro de anjos, trombetas, terremotos, bestas, dragões, e abismos sem fundo.
Os problemas hermenêuticos são intrínsecos. O Livro no cânon; logo para nós é a Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito Santo. Quando, porém, chegamos ao Livro para escutar a Palavra, a maioria de nós na igreja dificilmente sabe o que fazer dele.”
O Apocalipse é o último livro do Novo Testamento, comumente conhecido como o Livro da Revelação; o livro que encerra o Cânon das Sagradas Escrituras. O Rev. Ismael da Silva Junior registra:
“Se o Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, é considerado como a pedra fundamental do edifício do Livro de Deus, o Apocalipse, sem dúvida alguma, deve ser considerado como o seu remate ou a sua conclusão. Sem ele a Bíblia não estaria completa e dificilmente poderia ser compreendida”. Myer Pearlman acrescenta:
“O livro de Apocalipse é o apogeu da revelação da verdade divina ao homem, o remate do edifício das Escrituras, da qual, o Gênesis é a pedra fundamental. A Bíblia não estaria completa sem estes livros. Se a omissão de Gênesis nos teria deixado na ignorância, quanto ao princípio de muitas coisas, a falta do Apocalipse nos teria privado de muitos ensinos acerca da consumação de todas as coisas. Entre ‘Gênesis’ e ‘Apocalipse’, pode-se ver uma correspondência notável, a qual é a seguinte:

GÊNESIS
O Paraíso perdido
A primeira cidade, um fracasso
O princípio da maldição
Matrimônio do primeiro Adão
As primeiras lágrimas
A entrada de Satanás
A criação antiga
A comunhão rompida
APOCALIPSE
O Paraíso recuperado.
A cidade dos redimidos, um sucesso.
Não haverá mais maldição.
Matrimônio do segundo Adão.
Enxugadas todas as lágrimas.
O julgamento de Satanás.
A nova criação.
A comunhão restaurada.”

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Pr. Adelemir Garcia Esteves

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Predo ou Pedro?

Postado por quarta-feira, 21 dezembro, 2011

Uma certa debatedora, numa renomada FM do Rio de Janeiro, afirmou que Pedro por ser ignorante não teria condições de pregar em Atenas aonde Paulo pregou. Se pregasse seria um sermão “estúpido”, e, além disso, devido ao seu temperamento mandaria quebrar os altares erigidos aos diversos deuses. Porventura Pedro procederia dessa forma como o que foi exposto pela “pastora” debatedora?

Conforme os textos bíblicos, Pedro era um rude pescador (Mt 5.19-20), destituído de uma boa formação intelectual (At 4.13). Sendo Galileu, provavelmente sabia desde a infância, algum grego “Koiné”. Paulo, porém, foi formado aos pés de Gamaliel, um renomado rabino do sistema educacional judaico. Comparativamente o desnível intelectual entre os dois apóstolos era bem acentuado. Bem, ao lermos a principio todas essas informações sem termos um conhecimento mais aprofundado aos textos originais, poderíamos concordar com àqueles que defendem a continuidade da falta de preparo intelectual do apóstolo Pedro. Mas a história posterior é um pouco diferente. O conhecedor das cartas de Pedro escritas em grego mudaria esse conceito acerca do apóstolo. A primeira epístola se assemelha mais ao grego “Clássico” do que o grego “Koiné”, o que evidencia que o autor sagrado recebera posteriormente uma excelente educação liberal. Emprega o artigo definido grego, com mais elegância do que qualquer outro dos escritores do N. T. O autor emprega um vocabulário lato, considerando-se as dimensões da epístola, empregando sessenta e dois vocábulos que não se acham em qualquer porção do N. T. Contém menor número de hebraísmos do que os escritos de Paulo e exibe o uso clássico do termo grego “os” (advérbio), tal como faz o autor sagrado aos Hebreus, o que não é comum nas páginas do N. T. A segunda epístola exibe uma diferença gramatical demonstrando a realização de Pedro no idioma grego usando diferentes estilos para as suas epístolas.

Quanto a continuidade do comportamento temperamental do apóstolo Pedro, expressado pela debatedora, eu discordo, pois ao longo do registro bíblico, Pedro demonstrou uma mudança de seu temperamento emocional ao demonstrar equilíbrio ao ser questionado pelos judeus por sua entrada em casa de Cornélio (Atos 11:4-18). Equilíbrio e maturidade na questão religiosa acerca da circuncisão na assembléia de Jerusalém, a qual houve grande contenda (Atos 15:7-11). Chegou até se deixar levar por sua nova natureza temendo os seus compatriotas sendo passivo de repreensão por parte do apóstolo Paulo (Gl. 2:11-14). Será que a “rede” de Pedro não funcionaria eficazmente na cidade de Atenas se a ele fosse dada essa missão?

O que ensina e prega a palavra de Deus deve ter todo o cuidado ao afirmar certas coisas para que não venha a ser desaprovado (II Tm 2.15). Certo!

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Pr. Adelemir Garcia Esteves

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O Sábado Bíblico

Postado por domingo, 27 novembro, 2011

A palavra sábado vem do hebraico, Shabbãth, ‘descanso’ da raiz; Shãbhath, ‘cessar’, ‘descansar’. Na Septuaginta, é traduzido pela palavra sábbaton, “sábado”. Aponta para o sétimo dia de cada semana, que os israelitas dedicavam ao descanso de todas as atividades físicas da semana, a começar ao por do sol da sexta feira e terminando no por do sol do sábado.

No relato da criação não encontramos a palavra sábado, mas é encontrada a raiz de onde se deriva tal vocábulo (Shãbhath): “E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que Deus criara e fizera” (Gn. 2:2,3). Deus criou todo o universo em seis dias; no sétimo descansou de Sua obra. A linguagem apresentada em Gênesis é antropomórfica, pois Deus não é um trabalhador que necessita de descanso, porém foi deixado como padrão para o homem seguir, pois precisa de um dia para o descanso de todas as labutas diárias e tomar alento, conforme a forte linguagem usada por Deus em Êxodo 31:17, com o propósito de ensinar ao homem tal necessidade: “… em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou, e restaurou-se”.

No tempo dos patriarcas não existe qualquer menção de tal observância, embora Deus tivesse abençoado o dia sétimo, por ocasião da criação.

A primeira menção da palavra sábado foi no deserto por ocasião do recolhimento do maná, conforme o registro de Êxodo 16:23-30: “E ele disse-lhes: Isto é o que o SENHOR tem dito: Amanhã é repouso, o santo sábado do SENHOR; o que quiserdes cozer no forno, cozei-o; e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobejar ponde em guarda para vós até amanhã. E guardaram-no até pela manhã, como Moisés tinha ordenado; e não cheirou mal, nem nele houve algum bicho. Então, disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto hoje é o sábado do SENHOR; hoje não o achareis no campo. Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele não haverá. E aconteceu, ao sétimo dia, que alguns do povo saíram para colher, mas não o acharam. Então, disse o SENHOR a Moisés: Até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis?”.

Na Aliança da Lei, o sábado foi instituído como um dos mandamentos para a nação de Israel: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles e ao sétimo dia descansou; portanto, abençoou o SENHOR o dia do sábado e o santificou” (Êxodo 20:8-11).

Conforme o registro de Êxodo 31:13, o sábado era o mandamento que servia para distinguir a nação de Israel de todos os demais povos: “Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados, porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica”.

Para a nação de Israel, o sábado não era um dia de total inatividade, pois os sacerdotes continuavam nos seus serviços normais. Aos sábados havia a mudança dos pães da proposição (Lv. 24:8); um sacrifício especial (Nm. 28:9,10); o rito da circuncisão (Lv. 12:3; cf. João 7:22); a convocação sabática (Lv. 23:1-3). Era um dia reservado para o descanso e a adoração ao Senhor.

Nos dias do profeta Isaias, o sábado era observado formalmente (Is. 1:12,13). Outros profetas repreenderam a nação de Israel acerca da violação do sábado (Jr. 17:21,22; Ez. 22:8; Am. 8:4). Foi atribuída a destruição de Jerusalém e o cativeiro dos judeus, em parte, à violação da não observância da guarda do dia de sábado (Jr. 17:27; Ez. 20:23,24).

Após as reformas de Neemias e Esdras, no período intertestamentário, os seus sucessores, os escribas, regularam e restringiram a observância do sábado. No tempo dos Macabeus, alguns deles preferiram morrer a profanar o sábado. Com o surgimento das sinagogas, a vida religiosa do judaísmo centralizou-se nelas, não somente em lugares distantes de Israel, mas até paralelamente ao templo de Jerusalém existiam sinagogas onde, nos sábados, a comunidade judaica se reunia para o estudo do Tanach (Antigo Testamento) e a adoração a Deus.

Quando Jesus foi introduzido no mundo dos homens, o verdadeiro sentido do sábado havia sido obscurecido pelos acréscimos e restrições dos escribas. A observância se tornara formal, sem considerar as necessidades humanas. Jesus chocou-se frontalmente com as autoridades religiosas de Israel por causa do sábado e a reivindicação de sua deidade: “E, por essa causa, os judeus perseguiram Jesus e procuravam matá-lo, porque fazia essas coisas no sábado. E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (João 5:16,18).

O apóstolo Paulo frequentava os cultos nas sinagogas em dia de sábado, pois era o dia normal de reuniões dos judeus (At. 2:46; 5:42; 9:20; 13:14; 14:1; 17:1,2; 18:4). Os gentios que se convertiam eram assediados pelos judaizantes com o intuito de circuncidá-los e obriga-los a guardar as leis judaicas. Foi essa situação que provocou o grande Concílio de Jerusalém (At. 15:1-32). O consenso final foi: “Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da fornicação; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Bem vos vá” (Atos 15:29,30). Os gentios que se convertiam não estavam obrigados a observar as leis judaicas e a adotar o cerimonial judaico, a fim de viverem uma vida de justiça cristã. A Igreja dos gálatas que estava enveredando pelo caminho da observância da lei mosaica foi severamente repreendida pelo apóstolo Paulo: “Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne? Será em vão que tenhais padecido tanto? Se é que isso também foi em vão. Aquele, pois, que vos dá o Espírito e que opera maravilhas entre vós o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (Gl. 3:2,3). Paulo considerava a lei como um jugo de servidão, da qual os crentes são libertos por Cristo: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão” (Gl. 5:1). Algo abolido por Cristo na Nova Aliança: “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Cl. 2:14). O sábado é mencionado por Paulo juntamente com as festividades e luas novas, como “sombras das coisas futuras”: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo” (Cl. 2:16,17). Para o apóstolo Paulo, o crente que estava querendo guardar dias, meses, anos e tudo que fazia parte da legislação mosaica estava querendo se escravizar a “…rudimentos fracos e pobres”. Confira: “Mas agora, conhecendo a Deus ou, antes, sendo conhecidos de Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós que haja eu trabalhado em vão para convosco” (Gl. 4:9,10). “Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo” (Cl. 2:20). A observância de dias e a abstinência de certos alimentos são características de quem é fraco na fé: “Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas. Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. O que come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu. Quem és tu que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo” (Rm. 14:1-5). O Espírito Santo através de Paulo, relativizou, igualou o sábado com os demais dias da semana. A desvalorização deste dia no coração do judeu convertido a Cristo seria um processo lento devido a formação religiosa proveniente da Lei mosaica, pois é bom lembrar de que a Igreja primitiva era formada de judeus e gentios convertidos a Cristo Jesus.

Os primitivos cristãos passaram a reunir-se no primeiro dia da semana, devido a ressurreição de Jesus (Mc. 16:2 ss). Tinha no primeiro dia da semana o seu dia normal de reuniões: “No primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e alargou a prática até a meia-noite” (At. 20:7). “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam as coletas quando eu chegar” (I Co. 16:2).

A observância do sábado no Novo Testamento jamais é ordenada, porém os demais nove mandamentos da lei mosaica são constantemente reiterados, tendo o cumprimento de toda a lei através da observância do amor: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás, e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor. A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás, e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm. 13:8-10).

Um conhecido grupo defende a guarda do sábado pelos cristãos asseverando que o domingo é o sinal da besta. As Escrituras não dizem como será tal sinal; e, em segundo lugar, o anticristo ainda não surgiu no cenário mundial para adquirir autoridade mundial, isso acontecerá antes da segunda vinda de Cristo. As Escrituras não ensinam que o anticristo fará a mudança do dia de descanso do sábado para o domingo. Dizem que o dia de domingo foi introduzido pelo catolicismo romano, porém tal afirmativa não tem fundamento, pois não existe nenhuma prova histórica a esse respeito. Se porventura houvesse alguma mudança comprovada a esse respeito, isso nada provaria no sentido de que devemos retornar à observância do sábado judaico, pois as Escrituras ensinam claramente que o sábado é sinal do pacto entre Deus e Israel, jamais sinal entre Deus e a Igreja. Israel estava sob a lei recebida no Sinai, porém a Igreja está sob a Graça de Jesus adquirida na cruz do Calvário. O Novo Testamento também não ensina que devamos guardar o domingo, como se este houvesse substituído o sábado judaico, pois para Deus todos os dias são abençoados por ele.

Todos os países têm adotado o calendário gregoriano para uso civil. Neste calendário os dias da semana são dispostos na seguinte forma: segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo. No calendário judaico, os judeus não davam nomes aos dias da semana, mas eram designados como primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto e sétimo dia o dia de descanso (sábado). Conforme o exposto, o calendário gregoriano nomeia os dias da semana e o judaico não. O dia em que alguns grupos insistem na guarda obrigatória não é o sábado bíblico, porém um dia nomeado de sábado. Devido à tradição dos cristãos de se reunirem no primeiro dia da semana; este primeiro dia foi nomeado no calendário gregoriano de domingo (do latim: Dies dominica “dia do Senhor”). Teológica e morfologicamente, o sábado ordenado por Deus a Israel não tem nenhum vínculo com o dia nomeado de sábado da nossa folhinha gregoriana. Estamos debaixo da graça, sob o sangue de Jesus Cristo, por isso não nos colocaremos sob outro fundamento.

O domingo foi instituído pela lei do nosso país como o dia de descanso do trabalho secular (Rm. 13:1), contudo é para a Igreja um dia voltado inteiramente para o trabalho cristão e considerado pelo Senhor como o Seu dia. Se porventura um cristão que, por força do seu trabalho secular, tiver de trabalhar no dia de domingo, e a sua folga de trabalho cair em qualquer dia da semana, esse dia será o seu sábado (descanso). Seis dias trabalhou e o sétimo dia é o descanso do seu trabalho (Êx. 20:8-11). Para nós, os servos de Deus, sob a graça de Jesus, todos os dias são iguais. Não podemos fazer do benefício de Deus para com o gênero humano um motivo de confusão. Vejamos a resposta de Jesus aos fariseus: “E aconteceu que, passando ele num sábado pelas searas, os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas. E os fariseus lhe disseram: Vês? Por que fazem no sábado o que não é lícito? Mas ele disse-lhes: Nunca lestes o que fez Davi, quando estava em necessidade e teve fome, ele e os que com ele estavam? Como entrou na Casa de Deus, no tempo de Abiatar, sumo sacerdote, e comeu os pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão aos sacerdotes, dando também aos que com ele estavam? E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Assim, o Filho do Homem até do sábado é senhor” (Marcos 2:23-28).

Para finalizar, o Novo Testamento não proíbe ninguém de se reunir em qualquer dia da semana ou observar a sua guarda (Rm. 14:5,6). Aquele que quiser guardar o sábado da folhinha gregoriana, como qualquer outro dia, que o faça para a glória de Deus; conquanto que se preserve a totalidade do mandamento, ou seja, que trabalhe não somente os cinco dias da semana, porém os seis dias. A guarda do sábado também não pode ser instituída como uma regra de salvação, pois anularia a eficácia do sacrifício de Jesus na cruz do Calvário: “Pela graça sois salvos, por meio da fé; isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8,9). Com todas essas recomendações façamos a Obra de Deus de maneira que venhamos a agradar o coração de Deus sem criarmos nada além do que já está escrito. Amém!

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Pr. Adelemir Garcia Esteves

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Testemunho do Poder de Deus

Postado por domingo, 27 novembro, 2011

Deixo o testemunho de um grande livramento que o Senhor me deu juntamente com o Pr. Fabiano Ferreira, na rodovia Rio-Magé, em 09 de outubro de 2000, às 00:30 h.

O fato ocorreu quando estávamos regressando de Teresópolis de uma abençoada visita à Igreja do Pr. Moisés Esteves. Eu estava assentado ao lado do Pr. Fabiano enquanto ele dirigia o seu carro, um Gol geração III; no banco de trás estavam: a sua esposa, a irmã Maria Antônia, seu filho Jason e a minha filha Esther. Na rodovia Rio-Magé, se emparelhou ao nosso carro, um Kadet com dois elementos armados. O carona bateu no vidro do nosso carro com o revólver fazendo sinal para que parássemos. Ao percebermos o assalto comecei a clamar pelo “poder do sangue de Jesus”. Quando os ladrões viram que não fora atendida a ordem de parar, eles se colocaram bem ao nosso lado e, mirando em direção da cabeça do Pr. Fabiano, efetuaram o primeiro disparo à queima roupa. No momento, pensei que o disparo o tinha matado e também me atingido, porém percebi que o projétil não havia nos ferido. Em seguida, ao ver que o primeiro disparo não nos atingira, o carona do Kadet disparou várias vezes em nossa direção, a poucos metros de distância. Literalmente, a minha filha Esther via quando o foguinho dos disparos vinha em nossa direção, porém o Senhor enviou uma barragem de anjos e nada nos atingia. Glória a Deus!

O carona chegou a colocar o corpo para fora do carro para melhorar a pontaria, usando as duas mãos, mas se surpreendia, pois nada nos atingia. O motorista do Kadet ao ver que seu amigo não conseguia nos atingir, sacou a sua arma e começou também a atirar sobre nós, mas sem sucesso.

Quando viram que não nos conseguiam atingir bateram com violência no lado esquerdo do nosso carro. O carro rodopiou na pista, pensei que iria capotar, porém a mão do Senhor estava sobre nós e não permitiu que o nosso carro capotasse e nem batesse na mureta do acostamento. Em todo esse trajeto, nós cinco, a uma voz, clamávamos pelo “Poder do sangue de Jesus”, pois só o Senhor que poderia nos valer numa hora de tanta aflição.

Os elementos, furiosos, pararam a uns 8 metros de distância e vieram em nossa direção. Eles se aproximaram e os dois pararam a um metro do nosso carro e apontaram as suas armas em nossa direção. Continuávamos a clamar pelo “poder do sangue de Jesus. O Pr. Fabiano abriu o vidro do carro e clamou: Há poder no sangue de Jesus! ”Os ladrões ficaram por uns vinte segundos parados e começaram a ficar tontos, não entendiam nada, pois nenhum dano havia ocorrido conosco e nem com o nosso veículo. Nós estávamos entendendo tudo: o Senhor estava com as milícias dos seus anjos nos guardando de todo o mal. Todos nós continuávamos a clamar a uma só voz: Há poder no sangue de Jesus!. Foi então que a vitória se consumou. Um dos bandidos disse para o outro: “Vamos embora!”. Correram em direção ao Kadet e, apavorados, saíram em disparada. O Senhor nos deu um grande livramento, passou juntinho de nós nesse vale tenebroso, pois nenhum tiro nos atingiu e tampouco furou o nosso carro. A Deus seja a glória para sempre! Amém.

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Pr. Adelemir Garcia Esteves

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O Peso da Glória

Postado por domingo, 27 novembro, 2011

(Mensagem pregada no Concílio Organizatório da Igreja em Campinas com adaptações textuais)

Como o aspecto do arco que aparece na nuvem no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em redor. Este era o aspecto da semelhança da glória do Senhor; e, vendo isto, cai sobre o meu rosto, e ouvi a voz de quem falava (Ez.1:28).

Não podemos definir com facilidade a palavra glória, porque a mesma traz em si um peso tremendo quando atribuída a pessoa de Deus. A glória consiste em honra exaltada, em louvor ou reputação, ou em alguma coisa que ocasiona o louvor ou é o objeto desse louvor. Também pode significar esplendor, magnificência. A própria presença de Deus pode ser chamada de glória, por causa de seu estado exaltado.

Vários termos hebraicos são usados para indicar a ideia de glória. O vocábulo mais comum é Kavod, que se deriva de Kaved, ser pesado, dando a ideia de alguma coisa importante. Por extensão metafórica, veio a indicar valor, dignidade, esplendor, algo revestido de substância espiritual. A palavra era usada para aludir à estatura ou o peso físico de uma pessoa, ou então às riquezas ou à posição social de alguém.

Especificamente, no que tange a Deus, a Sua glória é a sua espantosa presença, as suas perfeições, os seus atributos, a sua santidade. A glória de Deus é a expressão da sua santidade, tal como a saúde manifesta-se sob a forma de beleza física. A aparência divina é de uma majestade gloriosa (Êx. 24:17). O valor intrínseco, que se manifesta claramente, é uma manifestação de glória. A Bíblia diz que houve um homem de Deus chamado Ezequiel. O seu nome significa: Deus fortalece. Ele viveu em um tempo bastante conturbado no contexto histórico da nação de Judá. Os primeiros anos de sua vida os viveu através do declínio político e espiritual de Judá. Testemunhou a ascensão e a queda de quatro reis. A invasão de sua nação pelas tropas do rei Nabucodonozor, levando cativas várias pessoas, inclusive o rei Jeoaquim.

Ezequiel fora levado para Babilônia e estava entre os cativos junto às margens do rio Quebar. Por certo estava triste e saudoso da sua pátria. As notícias que vinham de Jerusalém eram desanimadoras. Clamava ao Senhor para que interviesse em favor do Seu povo. De repente os céus se abrem e as misteriosas revelações de Deus se descortinam diante do profeta.

O profeta contempla a glória de Deus revelada nas misteriosas criaturas. Um firmamento semelhante a cristal e um trono por cima das suas cabeças. Um Ser glorioso assentado nesse trono. Dos seus lombos para cima e para baixo e no seu interior era fogo. O Varão era todo de fogo! Será que o Senhor Iavé havia se lembrado de Judá? Creio que assim pensava Ezequiel, estupefato diante da glória do Deus de Israel.

O Senhor comissiona o profeta para uma grande obra entre os cativos, designando-o para os avisar do juízo que era iminente.

Num determinado dia estava o profeta em sua casa. Deus se manifesta mais uma vez em forma de fogo, eis que a glória do Deus de Israel estava ali. Desta vez o profeta com tristeza contempla a glória do Deus Eterno se afastando da nação. Os querubins alçaram as suas asas, e se elevaram da terra. Icabô! Foi-se a glória!

O que o profeta Ezequiel vira em visão o profeta Jeremias testemunhou, numa dura realidade, o fiel cumprimento desta visão. Os soldados de Nabucodonozor entraram no templo saquearam-no e o reduziram a cinzas. Segundo os historiadores, à medida que os soldados adentravam ao templo cortavam o ar com suas lanças, em afronta ao Deus de Israel. Era o inverso da inesquecível cena dos dias de Salomão, quando a glória de Deus (a Shekinah), foi vista no templo quando o Senhor ateou fogo sobre o altar consumindo o holocausto. A nuvem gloriosa encheu a casa, impossibilitando os sacerdotes de ministrarem (II Cr. 7:1-3). O profeta Jeremias perambulou atônito pelas ruas despedaçadas de Jerusalém. Toda a dor do profeta e do seu Deus foi manifesta no livro das Lamentações: Como se acha solitária aquela cidade, dantes populosa! Tornou-se como viúva e etc…”

Nos capítulos 36 e 37 do profeta Ezequiel, eis uma promessa. Numa visão, o Senhor promete ao Seu povo que os levaria do exílio para Jerusalém e que não seriam mais tirados da sua terra natal. Poria dentro deles o Seu Espírito e lhes daria um coração de carne. O Senhor literalmente haveria de ressuscitar o Seu povo. Deus mostra ao profeta um vale de ossos sequíssimos e recebe ordem para profetizar aos ossos secos. Em seguida o caos vai tomando forma. O resultado foi um vale cheio de mortos, porém o espírito entrou neles e se puseram em pé um grande exército, grande em extremo.

No capítulo 43, Deus se revela mais uma vez ao profeta da glória de Deus Ezequiel, mostrando-lhe mais uma vez a Sua glória. E eis que a glória do Deus de Israel vinha do oriente; e a Sua voz era como a voz de muitas águas, e a terra resplandeceu por causa da Sua glória. E o aspecto da visão que vi era como o da visão que eu tinha visto quando vim destruir a cidade; e eram as visões como a que vi junto ao rio Quebar; e caí sobre o meu rosto. E a glória do Senhor entrou no templo pelo caminho da porta, cuja face está para o lado do oriente. E levantou-me o Espírito e me levou ao átrio interior; e eis que a glória do Senhor encheu o templo. O Senhor haveria de restaurar a glória do templo (Ez. 44:1,2 ; Ag. 2:9).

Passados os séculos, num determinado dia; como se olhássemos o invisível através do véu histórico com olhos de profeta, vamos estar no templo em Jerusalém. Os anjos de Deus se comovem e jubilam, pois naquele dia haveria de entrar no templo, o Rei dos reis, Senhor dos senhores o Desejado das nações. A casa se enche de glória. Os anjos dizem com júbilo: Kadosh! Kadosh! Kadosh! Adonai Tsevaôt! (Santo! Santo! Santo! É o Senhor dos Exércitos!) A glória do templo chegou! Maria introduz ao templo uma criança recém-nascida. Era a glória do Deus de Israel. A maior teofania da história. Glória a Deus!

Após quatrocentos anos de silêncio surge uma nova aurora para toda a humanidade. Deus transpõe um enorme precipício que havia distanciado toda a raça humana da sua presença, Jesus, que sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz. (Fl. 2:6-8).

A palavra grega utilizada para descrever Cristo“se esvaziando é Kenosis. Jesus abriu mão das prerrogativas divinas, passando por um grande processo de humilhação. Deus tornou-se vulnerável. Os homens poderiam tocá-lo, qualquer um poderia conversar diretamente com o Filho de Deus e permanecer vivo e até mesmo discutir com Ele. Era um Deus que poderia ser ouvido e visto. Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o fez conhece. (João 1:18). Quem me vê a mim, vê ao Pai. Deus poderia agora falar com toda e qualquer pessoa, sem causar tremor e assombro (Hb. 12:21). Tomou a forma humana: O Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade (João 1:14). Adquiriu CPF e um endereço. Foi uma descensão gloriosa! Um mistério tremendo!

Após o cumprimento do Seu ministério terreno, Jesus ascendeu ao céu, transferindo para a Igreja a Sua honra. Assim como Jesus habitou aqui na terra em um corpo humano, agora o Senhor viveria uma vida mística em um corpo tomado de toda a humanidade a Sua Igreja. A Igreja é o templo de Deus (I Pe. 2:5,6); a noiva celestial de Cristo (Ef. 5:25-27).

No dia de Pentecostes a Igreja foi consagrada pela unção do Espírito. Neste evento foi revivida a Shekinah (a glória manifesta no tabernáculo e no templo), cuja ausência era lamentada pelos rabinos e que há muito tempo fora vista e partira do templo, contudo manifesta em Jesus e agora na Igreja, através da descida do Espírito Santo. Foi uma mudança radical no âmbito celestial. Agora um Deus Santo e perfeito vive dentro de seres humanos imperfeitos.

Vivemos na Era do Espírito. O Espírito Santo vive na Igreja e manifesta através da mesma a multiforme sabedoria de Deus; a revelação da Sua graça; a aquisição das insondáveis riquezas e nos faz assentar em lugares celestiais. Temos a grande responsabilidade de refletirmos toda a glória de Deus ( II Co. 3:18). Se alguém quiser ver Deus, O terá de ser visto através de nós.

Estamos vivendo no tempo do desfecho da história da Igreja. Está diante de nós um grande desafio: a concretização da Obra de Deus. Os olhos de Deus pairam sobre esta nação. Ouvi uma experiência de um pastor brasileiro que haveria de ministrar uma aula sobre missões em uma Universidade americana. Ao apresentar aquele pastor aos alunos, o Reitor da Universidade relatou que estava pedindo a Deus os meios de concretizar a obra de Deus em toda a face da terra. O Senhor respondeu: O tempo dos norte-americanos findou-se, a concretização da Minha obra virá dos povos de línguas hispânicas e principalmente dos de línguas portuguesas, ouçam este homem com atenção! Paul Y. Cho; quando esteve no Brasil disse: O Brasil é um leão adormecido, quando ele acordar o mundo inteiro ouvirá o seu rugido. Deus realiza uma obra gloriosa nesta nação. Esta nação é muito pequena para conter a glória da Sua obra. Todas as nações verão o cumprimento das Escrituras Sagradas.

Um grande dia se aproxima o dia da coroação e posse do Senhor Jesus como Rei de todo o universo. O sétimo anjo tocará a sua trombeta e a Igreja será arrebatada em glória. Quem sabe que neste momento você está sendo marcado para não provar a morte! Carros e cavalos de fogo chegarão e num relâmpago você subirá para estar num lugar misterioso de glória que você não imagina.

Na ilha de Patmos, o véu das revelações foi removido para o apóstolo João. Foram-lhe mostrados mistérios profundos. Um desses mistérios foi o Dia da Coroação do Senhor Jesus. Em meio aos relâmpagos, vozes e trovões foi vista por João a arca do concerto no templo. Esta arca tem sido trazida para o meio de um povo que deseja selar um pacto com seu Deus. Mistérios profundos serão revelados nestes últimos dias da história da Igreja. O Livro dos Sete Selos será aberto e mistérios insondáveis revelados aos que estão preocupados em servir ao Senhor com fidelidade. Será uma imersão nos segredos do Altíssimo. Em meio a este mundo conturbado e mergulhado no pecado, podemos viver uma vida em santidade e desfrutar do privilégio da presença do Espírito de Deus e recebermos os mistérios da Sua graça. O Senhor está montado em seu cavalo branco à frente da Sua obra. A Igreja marchará como um exército formidável com bandeiras, formosa como a lua, brilhante como o sol”.

A Igreja é chamada pelo Senhor de morena, pois é queimada com o Sol da Justiça. Alegrai-vos, servos do Altíssimo! O Senhor virá para dar uma grande vitória a Sua Igreja. O Concerto de Deus atingirá a Igreja Geral Militante, preparando-a para o arrebatamento. O Homem que é todo de fogo nos queima nesta hora. Um fogo que não destrói, porém nos purifica e nos induz a tomarmos uma posição para melhor servi-lO. O Senhor deseja que sejamos participantes da Sua glória e natureza e quer nos transportar para dentro de si mesmo nos levando do estado comum para o extraordinário, do humano para o divino, enchendo o nosso vácuo com Sua plenitude. Por certo o Deus trino operará em nós, levando-nos a querer e a fazer todo o beneplácito da Sua vontade. Glória no passado pelos pecados perdoados. Glória no presente pelo Espírito de glória que habita em nós. Glória no porvir pelo corpo de glória que o Senhor nos dará e pelo céu que nos aguarda. Tudo em nós seja: Glória! Glória! Glória!

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Pr. Adelemir Garcia Esteves

Pastor, Jornalista, Professor de Teologia, Hebraico Bíblico e Conferencista.
“Temos a grande responsabilidade de refletirmos toda a glória de Deus.”
(II Co. 3:18)

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