Crescimento Espiritual

Por domingo, 27 novembro, 2011

(Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia)

A conversão corresponde ao novo nascimento (João 3.3,5). Vamos, portanto, comparar o novo convertido ao recém nascido.

Um bebê normal nasce completo, perfeito, para o alívio e alegria dos pais. Naqueles primeiros instantes de vida, a satisfação com o pequeno ser é plena. Ele tem tudo o que se espera que ele tenha. Porém, está muito longe do que pode vir a ser. A satisfação dos pais é imensa, mas a expectativa talvez seja ainda maior. O filho precisa crescer e aprender. Precisa aprender a pensar, andar, falar, agir e ser independente. Isto leva tempo, mas não pode demorar além do necessário.

Imagine se, passados três anos, o filho ainda for um bebê. Ele ainda não anda, não fala, não consegue fazer coisa alguma. Ainda não tem dentes, chora o tempo todo, dorme durante o dia e passa a noite acordado. Além disso, está doente. Será motivo de desespero para os pais.

Ao nascer, o bebê está diante de duas possibilidades: viver ou morrer (Rm.8.13). Seu desenvolvimento proporcionará uma vida normal. Sua estagnação representará infinitos problemas para si e para os outros, além de levá-lo, provavelmente, à morte prematura.

Nossa vida espiritual tem um paralelo quase perfeito com a vida natural.

Paulo fundou a igreja na cidade de Corinto e, passado algum tempo, teve uma grande decepção com aqueles irmãos. Eles não tinham crescido!

“E eu, irmãos não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a crianças em Cristo. Leite vos dei por alimento, e não comida sólida, porque não a podíeis suportar; nem ainda agora podeis; porquanto ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja e contendas, não sois porventura carnais, e não estais andando segundo os homens?” (ICo.3.1-3).

Infelizmente, a infância espiritual parece ter se tornado o padrão de vida de muitos cristãos. O tempo passou, mas eles ainda praticam os pecados que cometiam antigamente. Ainda não conhecem a bíblia, embora conheçam muito bem as coisas mundanas. Ainda não têm o fruto do Espírito, mas continuam produzindo as obras da carne. Ainda não entendem as doutrinas básicas do evangelho, não têm experiências concretas no relacionamento com Deus e são presas fáceis para os enganadores.

O autor da carta aos hebreus interrompeu sua exposição sobre o sacerdócio de Cristo para fazer o seguinte comentário:

“Sobre isso temos muito que dizer, mas de difícil interpretação, porquanto vos tornastes negligentes em ouvir. Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os princípios elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis feito tais que precisais de leite, e não de alimento sólido. Ora, qualquer que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, pois é criança; mas o alimento sólido é para os adultos, os quais têm, pela prática, as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal.” (Heb.5.11-14).

Aqueles irmãos estavam como os coríntios. Seu crescimento espiritual não correspondia ao que deles era esperado. O tempo passou, mas eles não cresceram o quanto deveriam.

O que retarda o crescimento espiritual?

A negligência – que ocorre quando deixamos de fazer o que deveríamos ter feito. É quando deixamos de ler a bíblia, deixamos de orar, jejuar, ter comunhão com os irmãos, etc.

O comodismo – de esperar tudo pronto nas mãos. É tão cômodo para o recém-nascido receber sua mamadeira no berço, mas isso é ridículo para um “bebê velho”. Todos os novos convertidos dependem do que é ensinado nas reuniões da igreja, mas não podemos viver apenas com o que nos é ensinado. Precisamos aprender a buscar o conhecimento diretamente na bíblia. Nossos líderes servirão como orientadores nesse processo. É muito bom recebermos orações de outros irmãos. Nunca vamos dispensá-las. Entretanto, não podemos depender apenas das orações dos outros. Precisamos desenvolver nossa própria “vida de oração”, que nos proporcionará uma série de experiências pessoais com Deus através das respostas que ele nos dará.

Como podemos ter um crescimento sadio?

Alguém pode pensar que o crescimento vem com o tempo. É um engano. O tempo, por si só, não garante coisa alguma. Se o bebê ficar “deitado eternamente em berço esplêndido”, além de não crescer, morrerá antes do tempo.

Nosso crescimento espiritual depende de várias providências:

Para o novo convertido, Pedro escreveu:

“Deixando, pois, toda a malícia, todo o engano, e fingimentos, e invejas, e toda a maledicência, desejai como meninos recém-nascidos, o puro leite espiritual, a fim de por ele crescerdes para a salvação” (IPd.2.1-2).

O nascimento natural implica em renúncia ao conforto do útero. O crescimento e o amadurecimento também estão diretamente relacionados à renúncia em vários níveis. Ninguém alcança algo sem abrir mão de alguma coisa. Por isso, precisamos deixar para trás diversas práticas pecaminosas. Do contrário, nunca cresceremos.

Outro requisito indispensável para o crescimento é uma alimentação adequada. O alimento espiritual do cristão é a bíblia. “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt.4.4). Nesse texto, Jesus traçou um paralelo entre a vida física e a vida espiritual.

No texto de IPd.2.1-2, o autor fala sobre o “puro leite espiritual”, que são os princípios elementares da doutrina de Cristo (Heb.6.1-3), ou seja, os ensinamentos básicos do evangelho, entres os quais podemos citar: a fé, o arrependimento, o batismo, etc.

Depois de conhecermos as doutrinas fundamentais, precisamos aprender sobre assuntos mais avançados: dons, ministérios, escatologia, etc.

Em síntese, nosso crescimento espiritual depende diretamente do nosso conhecimento bíblico. Precisamos conhecer profundamente a bíblia. A falta desse conhecimento representará grande risco para as nossas almas.

“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos” (Oséias 4.6).

Depois do conhecimento deve vir a prática.

Quem apenas conhece está enganando a si mesmo (Tg.1.21-27). Não adianta sabermos tudo sobre o batismo e nunca sermos batizados. Nada vale sabermos tudo sobre o amor, se não o colocarmos em ação nas nossas vidas. Assim, seremos conhecedores, mas não sábios.

O que o crescimento espiritual representa na prática?

Assim como os pais aguardam o desenvolvimento pleno de seus filhos, Deus espera o mesmo de nós. Não vamos decepcioná-lo.

Os ministérios foram estabelecidos na igreja para auxiliarem no crescimento de todos os cristãos:

“E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo; para que não mais sejamos meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro; antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef.4.11-15).

O crescimento de cada um de nós, na qualidade de membros, implicará no crescimento do corpo de Cristo, que é a igreja. A maturidade do cristão será manifesta através dos seguintes fatos, evidentes nos capítulos 4 e 5 da carta de Paulo aos Efésios:

- Capacidade cada vez maior de evitar o pecado. A criança cai muito; o adulto não.

- Imunidade progressiva contra heresias e movimentos doutrinários estranhos ao evangelho.

- Superação da carnalidade, pelo “despojamento do velho homem”.

- Vida prática pautada pela espiritualidade sob o controle do Espírito Santo.

- Desempenho de ministério na igreja. Todo cristão deve ser um ministro e não apenas parte de um auditório.

Nossa realidade distorcida nos diz que o exercício do ministério não é evidência de maturidade. Entretanto, a existência de líderes imaturos é uma aberração que só ocorre devido ao erro na administração eclesiástica. Deus nunca quis que o imaturo fosse líder. O neófito não pode exercer o ministério (ITm.3.1-7), pois tal situação seria semelhante a uma criança administrando uma família.

O objetivo do nosso crescimento é que sejamos cada vez mais parecidos com o nosso irmão mais velho, Jesus, e mais semelhantes ao nosso Pai.

Que o Senhor nos ajude e nos dê sabedoria. Nunca cresceremos tanto a ponto de sermos independentes dele, mas cresceremos o suficiente para sermos motivo de glória para o seu nome.

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