O Livro de Apocalipse

Por quarta-feira, 21 dezembro, 2011

A palavra Apocalipse é derivada do grego Apokalypsis, que significa revelar, expor a vista, metaforicamente, descobrir uma verdade que se achava oculta.
O Apocalipse foi dirigido às 7 Igrejas da Ásia Menor, província romana, na parte ocidental, ao sul do Mar Negro, que hoje constitui a parte chamada Anatólia, parte da Turquia asiática, que confina com o Mar Negro, o Bósforo, o Mar de Mármara, o Estreito dos Dardanelos, o Mar Mediterrâneo, a Síria, a Mesopotâmia e a Armênia. Essas Igrejas são: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia.

O AUTOR

O autor deste livro foi João, o apóstolo, por ordem direta do Senhor Jesus (1;1,11). Justino Martir, filósofo, nascido em Samaria e falecido em Roma, 139-163, d.C., referindo acerca do Apocalipse disse: “um homem, entre nós, chamado João, um dos apóstolos de Cristo, na revelação a ele feita, tem profetizado que os crentes em nosso Jesus Cristo viverão muitos anos em Jerusalém e depois haverá uma ressurreição e o julgamento de todos, seguindo-se o Milênio dos Santos”.

A LINGUAGEM E OBJETIVO DO LIVRO

Livro de Apocalipse é de caráter profético em forma de visões, empregando um simbolismo enigmático. A literatura profética do Antigo Testamento encontrada nos livros de Ezequiel, Daniel, Zacarias, e em partes de Isaías é considerada também como literatura apocalíptica. O cumprimento total das profecias apocalípticas serão verificadas no “fim dos dias.” Acerca da linguagem enigmática deste livro, Gordon Fee e Douglas Stuart afirmam com precisão: “Quando vamos ao Livro do Apocalipse depois de ler o restante do Novo Testamento, sentimos que estamos entrando num país estrangeiro. Ao invés de narrativas e cartas que contêm declarações claras de fatos e de imperativos, chegamos a um livro de anjos, trombetas, terremotos, bestas, dragões, e abismos sem fundo.
Os problemas hermenêuticos são intrínsecos. O Livro no cânon; logo para nós é a Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito Santo. Quando, porém, chegamos ao Livro para escutar a Palavra, a maioria de nós na igreja dificilmente sabe o que fazer dele.”
O Apocalipse é o último livro do Novo Testamento, comumente conhecido como o Livro da Revelação; o livro que encerra o Cânon das Sagradas Escrituras. O Rev. Ismael da Silva Junior registra:
“Se o Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, é considerado como a pedra fundamental do edifício do Livro de Deus, o Apocalipse, sem dúvida alguma, deve ser considerado como o seu remate ou a sua conclusão. Sem ele a Bíblia não estaria completa e dificilmente poderia ser compreendida”. Myer Pearlman acrescenta:
“O livro de Apocalipse é o apogeu da revelação da verdade divina ao homem, o remate do edifício das Escrituras, da qual, o Gênesis é a pedra fundamental. A Bíblia não estaria completa sem estes livros. Se a omissão de Gênesis nos teria deixado na ignorância, quanto ao princípio de muitas coisas, a falta do Apocalipse nos teria privado de muitos ensinos acerca da consumação de todas as coisas. Entre ‘Gênesis’ e ‘Apocalipse’, pode-se ver uma correspondência notável, a qual é a seguinte:

GÊNESIS
O Paraíso perdido
A primeira cidade, um fracasso
O princípio da maldição
Matrimônio do primeiro Adão
As primeiras lágrimas
A entrada de Satanás
A criação antiga
A comunhão rompida
APOCALIPSE
O Paraíso recuperado.
A cidade dos redimidos, um sucesso.
Não haverá mais maldição.
Matrimônio do segundo Adão.
Enxugadas todas as lágrimas.
O julgamento de Satanás.
A nova criação.
A comunhão restaurada.”

Objetivo de Deus no tempo em que viveu o apóstolo João ao revelar este livro era o de consolar aos crentes que estavam sofrendo uma severa perseguição. Não obstante, ter sido escrito no primeiro século da Era Cristã, essa forma de revelação tem servido de consolo para a igreja durante os séculos. O próprio apóstolo João foi vitima da perseguição sendo desterrado para a Ilha de Patmos de onde sabemos que a revelação do livro foi feita. Foi um período tenebroso para a Igreja.
Duas grandes perseguições se abateram sobre a Igreja, procurando abalar, porém sem resultado, os alicerces da Igreja:
“A de Nero – Este imperador, além de outros grandes crimes mandou incendiar a cidade de Roma, atribuindo essa maldade aos humildes cristãos. Eis o que escreve Tácito, célebre historiador romano, sobre o assunto: ‘Nero, com o fim de apaziguar os ânimos exaltados, trouxe pessoas inocentes e infligiu as mais terríveis torturas a homens tidos como detestados por seus crimes e que pelo povo eram designados como cristãos… Nero os mandava vestir com peles de animais, embebedo-os com rezina e pez, eram atados a estacas e de noite ateavam-lhes fogo para que, como fachos, iluminassem os jardins reais, bem como as ruas e as praças de Roma. Via-se Nero a passear de carro no meio da luz desses archotes humanos’. Mandou ele matar a sua própria mãe, Agripina, para ter o prazer de ver o lugar em que esteve, antes de vir ao mundo.
A de Domiciano – No ano 94 iniciou uma tremenda perseguição visando a exterminar da terra o Cristianismo, que quase havia desbancado o terrível paganismo, que eles aceitava e praticava. Começou mandando assassinar os cristãos que existiam em sua família. Depois, foram martirizados outros cristãos. Os que não sofreram o martírio, foram desterrados, como João, o apóstolo do amor, que foi enviado para Patmos, célebre ilha do Mar Egeu, deserta, de origem vulcânica, imprópria portanto, para a conservação da vida humana.”
Domiciano (81-96) foi o imperador que passou para a história como o que banhou o império com o sangue dos cristãos. O motivo desta perseguição era o de obrigar os cristãos a cultuar ao imperador. Ray Summers escreve o seguinte:
“É no reinado de Domiciano que se avoluma a insistência sobre o culto ao imperador, tornando-se exigência ameaçadora e mais forte que dantes. Este imperador, devido a uma carreira infame por ocasião de sua morte, deixou de receber as honras duma apoteose por parte do Senado, e se havia revelado muito solicito em receber honras divinas durante sua carreira. Para os seus subordinados tornou-se ele “deus et dominus” (deus e senhor). Suetônio diz que Domiciano iniciava as suas cartas com estes dizeres: “Nosso Senhor e Deus ordena que seja feito desta ou daquela forma”, e chegou a decretar que só dirigisse a ele nesses termos, fosse verbalmente, fosse escrito. Mandou erigir imagens de sua pessoa por todo o império, a fim de tornar mais popular o seu culto.”
Castigos eram impostos aos cristãos, devido a recusa de oferecer culto ao imperador: “Sob Domiciano, a cristandade teve que entrar numa luta de vida ou morte com o poder imperial que, mesmo quando mandava imperadores mais discretos, sempre exigia mais do que os cristãos podiam ceder. Era, pois, inevitável essa colisão muitíssimo forte e grave. Muitas eram as modalidades de castigos. Uns eram martirizados; outros, exilados; outros mais castigados, para que admitissem a divindade do imperador; a outros confiscavam-lhes as propriedades e a muitos outros perseguiam com tais punições reunidas.”
O cristão que confessasse que “César é Senhor” (Kurios Caesar) seria tolerado. Muitos irmãos permaneceram fiéis e não fizeram essa nefanda confissão, por isso foram duramente perseguidos. As perseguições de Domiciano, juntamente com as heresias dos judaizantes, unidas às do gnosticismo, produziam confusões, dissensões e assomavam dificuldades para a igreja ameaçando destruir a solidez do cristianismo. As Revelações dadas a João serviam de conforto aos
crentes primitivos que deveriam suportar com fidelidade as duras provações.
“A visão do Cristo triunfante sobre a perseguição e a morte, reinando no céu, e olhando constantemente pelos seus santos e mártires é uma garantia certa do triunfo de todos os crentes na terra e no céu. O retrato de Cristo é majestoso. Ele é o Cordeiro que foi morto, o Leão da tribo de Judá, a Palavra de Deus, o vitorioso adorado no céu igualmente com o Pai. Ele é a luz e a vida do homem. O livro inspira gratidão, confiança e esperança nos perseguidos de todas as épocas.”

A DIFICULDADE INTERPRETATIVA

Por ser um livro profético, escrito numa linguagem misteriosa e simbólica, o livro se torna de difícil interpretação. Com o propósito de interpretá-lo, surgiram algumas escolas: A escola preterista ensina que os fatos que foram narrados no Apocalipse foram consumados na época de sua escrita e se referem às perseguições da sua época. A futurista ensina que os fatos narrados no Apocalipse ainda não se consumaram, porém se consumarão num futuro próximo ou remoto, um pouco antes da Segunda Vinda de Cristo. A escola histórica ensina que as revelações ou visões apocalípticas são fatos que foram sendo e se irão consumando desde os tempos da Igreja Primitiva até o fim do mundo. A simbólica ou espiritual, ensina que as visões apocalípticas nada mais são do que “figuras representativas” de determinadas verdades ou princípios destinados a ter lugar na historia da Igreja, a fim de confortar os seus membros, até a Segunda Vinda de Cristo.
Concordo com alguém que certa vez disse: “Quem não tem dúvida alguma na interpretação de grandes partes do Apocalipse, tem mais coragem do que sabedoria”. E com Myer Pearlman:
“Depois de ter encontrado alguns trechos cujo significado não é claro, é melhor dizer: ‘Não entendo’. E esperar pacientemente uma explicação em vez de
buscar interpretações forçadas e fantásticas.” E plenamente com Ray Summer quando declara:
“O Apocalipse é uma série de imagens apocalípticas concedidas a João pelo Espírito Santo com o fito de apresentar Cristo como externamente vitorioso sobre todas as condições temporais, e assim encorajar os cristãos do tempo de João e de todos os tempos até o retorno de nosso Senhor. É uma mensagem de aviso à Igreja para que guarde sua pureza e não se misture com o mundo. É, ainda, uma mensagem de aviso aos inimigos da Igreja, afiançando-lhes que a Igreja, pelo poder de Cristo, finalmente sairá vitoriosa, e que todos quantos a combatem afinal se verão derrotados pela justiça do Divino Poder. O livro é uma mensagem de conforto para todos quantos estão em tristeza, anunciando a libertação da aflição e da dor no tempo determinado por Deus. É uma mensagem de esperança para os desencorajados, convidando-os a erguer suas cabeças e corações, visto que Deus não abdicou seu trono em favor de nenhuma outra pessoa ou Poder. É um livro que de modo especial se adapta a qualquer época de grande turbação e perplexidade.”
Data provável de escrita: Entre os anos 96 e 97.
Esboço para estudo:

I – INTRODUÇÃO: 1:1-8.

Prefácio, 1-3.
Saudações, 4-8.

II – VISÃO QUE JOÃO TEVE DE CRISTO: 9-20.

João, em Patmos, 9.
Tempo da visão, 10.
Ordem de escrever o livro, 11a
Nome dos destinatários – as sete igrejas, 11 b.
Os sete castiçais, ou candeeiros, que representam a Igreja, 12.
O Filho do Homem, como Sacerdote e Rei, 13.
A eternidade do Filho, 14. A firmeza e a vitória do Filho, 15.
Os anjos ou pastores da Igreja, 16 a
Cristo, fala a João, 1:16 b – 18.
Presente, passado e futuro, 19.
Interpretação – o que são as estrelas e os castiçais, 20.

III – AS CARTAS ÀS 7 IGREJAS: 2-3.

Igreja de Éfeso, que deixou o primeiro amor. 2:1-7.
Igreja de Esmirna, que era fiel. 8-11.
Igreja de Pérgamo, que tinha em seu seio hereges, 12-17.
Igreja de Tiatira, que tolerava Jezabel, símbolo de corrupção e prostituição, 18-29.
Igreja de Sardes, que tinha o nome de viva, mas estava morta, 3:1-6.
Igreja de Filadélfia, que, como a de Smirna, era fiel, 7-13.
Igreja em Laodicéia, que era morna, 14-22.

IV – “AS COISAS QUE SERÃO”: 4-22.

A visão do trono de Deus, 4-5:14.
Os selos, 6:1-8:1.
Os Anjos tocam as sete trombetas, que anunciam castigos, 8:2-11:19:
Primeira: Saraiva e fogo misturado com sangue, 7
Segunda: a Terça parte do mar em sangue, 8,9.
Terceira: A Terça parte soa rios em absinto (águas amargas), 10-11.
Quarta: a Terça parte do sol, da lua e das estrelas é ferida, 12 (Os dois ais, 13).
Quinta: Gafanhotos, com poder de escorpiões, devastam a terra, destruindo os súditos de Apolion ou Abadom (destruidor), 9:1-12.
Sexta: matança da Terça parte da terra, 13-21.
Sétima: os reinos do mundo passam a ser do Senhor e do seu Cristo, 11:15-19.
– O Anjo poderoso e o livrinho, 10:1-11:14:
– O anjo poderoso e o livrinho, 10:1-7.
– O livrinho é comido por João, 8-11.
– As duas testemunhas, 11:1-12.

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Pr. Adelemir Garcia Esteves

Pastor, Jornalista, Professor de Teologia, Hebraico Bíblico e Conferencista.
“Temos a grande responsabilidade de refletirmos toda a glória de Deus.”
(II Co. 3:18)

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